(João Gomes, in Facebook, 27/08/2026)

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Há uma esquerda que ainda luta. E há uma outra que, perante as grandes convulsões do mundo, parece ter trocado a luta pela indignação, a análise pela etiqueta e o internacionalismo pela escolha de um campo.
É uma distinção que me parece cada vez mais necessária.
A questão não está em saber quem, entre a esquerda portuguesa ou europeia, merece ou não o título de esquerda. Não tenho essa pretensão. A política não se resolve com certificados de pureza ideológica. O que me interessa é outra coisa: perceber se os princípios que historicamente deram sentido à esquerda continuam a ser aplicados com a mesma exigência quando mudam os protagonistas, as geografias e os interesses em jogo.
Foi precisamente essa questão que esteve na origem de uma publicação sobre a aparente contradição entre a forma como determinados sectores da esquerda analisam a Palestina e a Ucrânia. E essa contradição merece ser discutida.
Não porque a Palestina e a Ucrânia sejam situações idênticas – não são. Não porque Israel e Rússia possam ser colocados simplesmente no mesmo plano histórico ou jurídico – não podem. E muito menos porque se possa justificar uma guerra ou uma invasão com a existência de erros cometidos anteriormente.
Mas porque os princípios não podem ser geograficamente seletivos.
. Se a ocupação é condenável, é condenável.
. Se o ataque contra civis é condenável, é condenável.
. Se a punição coletiva é condenável, é condenável.
. Se a autodeterminação dos povos é um princípio, deve sê-lo independentemente de o povo em causa ser palestiniano, pró-russo ou qualquer outro.
E é precisamente aqui que começo a sentir algum desconforto perante aquilo que considero ser uma parte significativa de certa esquerda ocidental.
Uma esquerda que se indignou com Gaza, que denunciou a cumplicidade de governos ocidentais com Israel e que reivindicou o respeito pelo Direito Internacional, parece aceitar, no caso ucraniano, uma leitura do conflito construída quase exclusivamente a partir da perspetiva política e estratégica de Washington, Bruxelas e Kiev. Ora, isto não é internacionalismo. É alinhamento.
E uma esquerda que se pretende internacionalista deveria ser capaz de fazer algo muito mais difícil: criticar todos os poderes quando necessário, inclusive aqueles que considera mais próximos. Não existe verdadeira independência política quando se substitui a análise pela identificação automática do “nosso lado”.
A Rússia que alguns continuam a ver já não existe
Há ainda um segundo problema. Uma parte desta “dita esquerda” parece olhar para a Rússia contemporânea através de uma espécie de espelho retrovisor da História. Olha Putin e vê Estaline. Olha Moscovo e vê a União Soviética. Vê o nacionalismo russo e interpreta-o como se fosse simplesmente comunismo soviético disfarçado. Essa é uma leitura, no mínimo, insuficiente.
A Rússia contemporânea não é a União Soviética. Não possui a economia planificada soviética, não assenta na ideologia marxista-leninista, não é governada por um partido comunista único e não pretende reconstruir a URSS nos termos em que ela existiu. É, portanto, outra coisa.
É uma potência capitalista, nacionalista, conservadora em muitos dos seus valores sociais, militarmente poderosa e profundamente empenhada em preservar aquilo que entende serem os seus interesses estratégicos e a sua autonomia perante o Ocidente.
Podemos discordar dessa Rússia. Podemos não estar satisfeitos com decisões de Putin. Podemos falar dos erros da guerra na Ucrânia. Podemos criticar o sistema democrático e político russo. Mas não precisamos de transformar a Rússia numa caricatura histórica para podermos discordar dela.
Aliás, fazer isso impede-nos de compreender uma das grandes mudanças do nosso tempo: a emergência de um mundo que já não aceita pacificamente a arquitetura internacional construída depois da Guerra Fria. Moscovo pretende recuperar uma posição de potência soberana. Pequim pretende afirmar-se como centro económico e tecnológico mundial. A Índia recusa cada vez mais a lógica de alinhamento automático. Países do chamado Sul Global procuram maior margem de manobra.
Isto não significa que estejam todos unidos, nem que partilhem os mesmos valores ou interesses. Significa apenas que o mundo está a deixar de ser unipolar. E essa transformação não pode ser explicada apenas como uma conspiração de autocracias contra as democracias ocidentais.
A Democracia não é propriedade de um bloco
Há uma outra confusão que me parece perigosa. Defender a democracia, os direitos humanos, a liberdade de expressão e o pluralismo não significa aceitar que exista apenas um modelo político, económico e geoestratégico legítimo.
As democracias ocidentais conquistaram direitos fundamentais que devemos preservar. Mas também possuem interesses económicos, grupos de pressão, grandes concentrações de capital, complexos industriais-militares e estruturas de poder que influenciam decisões políticas. Reconhecer isso não é ser contra a democracia. É precisamente exercer o pensamento crítico dentro dela.
O problema começa quando alguém transforma a democracia ocidental numa espécie de certificado moral que permite classificar o mundo entre os “bons” e os “maus”. A partir daí, qualquer país que questione a ordem existente passa a ser suspeito.
Qualquer potência que reivindique autonomia passa a ser expansionista. Qualquer sociedade que não reproduza exatamente os “nossos valores” passa a ser “atrasada”. E qualquer argumento que contrarie a narrativa dominante pode ser imediatamente catalogado como propaganda. Uma esquerda verdadeiramente crítica não pode aceitar esta simplificação.
Não precisamos de escolher Washington ou Moscovo
É aqui que a minha posição pessoal se afasta de qualquer lógica de blocos. Não sou obrigado a escolher entre Washington e Moscovo. Nem entre Washington e Pequim. Nem entre NATO e Rússia. Posso considerar que a invasão russa da Ucrânia foi um erro e, simultaneamente, reconhecer que a expansão da NATO e a política de segurança europeia contribuíram para criar um ambiente de confronto.
– Posso defender a soberania da Ucrânia e, simultaneamente, perguntar se o Ocidente esteve sempre disposto a reconhecer as preocupações de segurança russas.
– Posso “condenar Putin” sem transformar Zelensky num herói acima de qualquer crítica.
– Posso defender o direito de Israel à existência sem aceitar a ocupação dos territórios palestinianos.
– Posso defender a Palestina sem aceitar que todos os actos praticados em seu nome sejam automaticamente legítimos.
A coerência começa precisamente aqui. Quando somos capazes de manter o mesmo princípio, mesmo quando ele incomoda os nossos amigos.
Entre a indignação e a luta
Talvez seja esta a diferença entre a esquerda que se espanta e a esquerda que luta. A primeira espanta-se. Espanta-se com Gaza. Espanta-se com a Rússia. Espanta-se com Trump. Espanta-se com a extrema-direita. Espanta-se com o crescimento das desigualdades. Espanta-se com as guerras. E depois regressa ao conforto das explicações que o seu próprio campo político lhe oferece.
A segunda não se limita a espantar-se. Questiona. Questiona quem tem o poder. Questiona quem beneficia. Questiona quem financia. Questiona quem fabrica as narrativas. Questiona os próprios aliados. Questiona até aquilo em que acredita.
Porque lutar não é repetir aquilo que queremos ouvir. Lutar é conservar a capacidade de pensar quando todos à nossa volta já escolheram o lado que consideram obrigatório.
E talvez seja isso que falta a alguma esquerda contemporânea: menos preocupação com a etiqueta ideológica do adversário e mais preocupação com a substância das políticas que defende.
Uma esquerda que realmente queira ser internacionalista não pode aceitar que o mundo seja dividido entre impérios bons e impérios maus. Deve olhar para os povos. Para os trabalhadores. Para os pobres. Para os que são bombardeados. Para os que perdem a casa. Para os que são obrigados a fugir. Para os que morrem numa guerra decidida por outros. E deve perguntar sempre a mesma coisa: quem está a pagar o preço das decisões dos poderosos?
Um mundo multipolar será necessariamente um mundo melhor?
Também aqui convém não alimentar ilusões. Um mundo multipolar não é automaticamente um mundo justo. A Rússia não é perfeita. A China não é perfeita. Os Estados Unidos não são perfeitos. A Europa não é perfeita. Nenhum Estado, nenhum bloco e nenhuma potência deve receber um cheque em branco.
Mas existe uma diferença fundamental entre defender uma ordem multipolar e defender qualquer potência que se apresente como alternativa ao Ocidente.
Eu não defendo isso. Defendo a possibilidade de existirem vários centros de poder capazes de se equilibrar mutuamente, numa ordem internacional onde nenhuma potência tenha o direito de determinar unilateralmente o destino das restantes.
Talvez essa transição seja turbulenta. Talvez produza novos conflitos. Talvez alguns dos novos poderes sejam tão imperfeitos como aqueles que hoje dominam o sistema. Mas o caminho para uma ordem internacional mais equilibrada não pode passar pela substituição de uma hegemonia por outra. Tem de passar por algo mais difícil: o respeito pela soberania, pela diversidade política e cultural e pelo direito de cada povo construir o seu próprio caminho.
É precisamente por isso que não consigo aceitar uma esquerda que substitua o internacionalismo pela geopolítica dos blocos.
A esquerda nasceu, historicamente, para desconfiar do poder. Não para escolher qual dos poderosos merece a sua confiança. Nasceu para defender os que não têm poder. E essa talvez seja a pergunta que devemos continuar a fazer, perante a Palestina, a Ucrânia, a Rússia, Israel, os Estados Unidos ou qualquer outro lugar do mundo: de que lado estamos quando não estamos obrigados a escolher um lado?
Eu escolheria o lado da paz. O lado dos povos. O lado da soberania. O lado do Direito Internacional aplicado sem dois pesos e duas medidas. E, sobretudo, o lado de uma esquerda que não tenha medo de pensar contra a sua própria trincheira. Porque uma esquerda que apenas se espanta pode produzir indignação.
Mas uma esquerda que verdadeiramente luta tem de conservar aquilo que sempre foi a sua maior força: a capacidade de questionar o poder – sobretudo quando o poder está do seu lado.
gostei. Muito!
🙂
E um bravo a Doug Ford, primeiro ministro da província canadiana de Ontário que explicou porque e que com alguém como Trump não há conversa, “Trump e um ditador, um perdedor, um especialista em quebras”. “E um arruaceiro, o miúdo na escola que num dia te rouba o dinheiro para o almoço, no outro dia te enfia os livros por cima da cabeça e no outro dia te rouba os tênis”.
Disse também que o sujeito lhe podia beijar o cu dado que ele e um homem grande e tem muito espaço para isso.
Isto ou chamamos os bois pelos nomes ou não andamos aqui a fazer nada.
O texto e um exemplo da tal esquerda nem-nem para a qual já não há pachorra.
Temos realmente de estar num lado e esse será o lado de quem respeita a vida e tenta aceder a um lugar no mundo por meios pacíficos.
Mesmo que não sejam perfeitos.
Ou o lado de quem luta contra assassinos messianicos pois que e a única maneira de lidar com gente dessa.
O que e que se faz perante um animal como Ben-Gvir?
Tentamos ter uma conversa simpática tipo, “olha, estás errado, os palestinianos também são gente, não tens de os andar a matar muito menos pensar em fazer alguns ser devorados por crocodilos do Nilo. Tenta ter mais calma. Começa a frequentar umas aulas de yoga, faz umas sessões de terapia analica, vais ver que isso melhora”?
E ficar a espera que o homem comece a matar menos?
Com um vizinho como Israel não há conversa. Aquela gente só aprende a porrada pois uma gente que não reconhece humanidade a nenhum outro povo só para devis matar se tiver medo.
E por isso o Irão devia ter deixado a religiao de lado quanto a isso de ter armas nucleares.
Porque essa e a única maneira de deter assassinos messiânicos.
Ou em Fevereiro de 2022 podíamos ter dito ao Putin, “leva uns autocarros e ajuda aqueles 15 milhões de pessoas a sair do Donbass e da Crimeia. Há muito espaço na Rússia onde podem ser instalados e vocês até teem falta de gente para povoar o território. Ficam todos a ganhar”?
Só povos que a miséria sempre obrigou a expatriar se, muitas vezes de vez, podem achar lógico e decente tirar pessoas de terras ancestrais para deixar os nazis satisfeitos. Deixando para traz tudo o que esta gente conheceu.
Depois o que e que se fazia?
Deixavasse o nazismo ucraniano continuar a crescer? Ter armas nucleares como prometeu Herr Zelensky? Alguém imagina o que faria gente que fez o massacre de Bucha, que orquestrou um ataque a um centro comercial matando centenas de pessoas em Moscovo, que ataca dormitórios de estudantes e praias, com armas nucleares?
Gente que sempre professou ódio e desejo de destruição contra a Rússia?
O massacre da população do Donbass e Crimeia tinha data marcada. 8 de Março de 2022. Havia mais de 200 mil cães nazis as portas do que restava de território libertado no Dombass. Acham que iam dar rebuçados?
Aquilo estava a ser bombardeado forte e feio e os presstitutos diziam que era fogo de artifício.
A invasão russa só peca por tardia.
Deu tempo aquela canalha para se armar, transformar cidades em fortalezas cheias de escudos humanos e contratar exércitos mercenários.
Quanto a democracia ocidental que va dizer isso aos mais de 100 mil trabalhadores estado unidenses que perderam o emprego por não querer ser cobaias, a quem na Alemanha apanhou mais de uma década de cadeia por supostamente ter contagiado gente vacinada que morreu, a quem esperou horas a fio a chuva e a neve por uma vacina ou no outro dia não ia trabalhar e meses depois apanhou cancro.
E podemos mesmo agradecer ao Putin por a loucura vacineira não ter sido pior ainda. Em Março acabaram logo as restrições e ninguém falou mais em tornar a coisa obrigatória.
O que seria certamente um exemplo de democracia.
A que perdeu o emprego e teve contas bancárias bloqueadas por denunciar os crimes de Israel. A quem foi espancado pela polícia por usar um Kefieh. A jogadores de futebol que foram multados ou expulsos por postarem nas redes sociais críticas a açao homicida de Israel.
Aos pescadores que nem podem pescar nas costas do seu país o peixe que querem porque a União Europeia não deixa.
A todos nós onde a União Europeia não eleita até decide que canais de informação internacional devemos ver.
Que censurou a RT mas continua a deixar no ar a apoiante de genocidio I24.
Só quem anda a dormir pode achar que ainda estamos em democracia. Estar em democracia não e só termos a certeza de que a PIDE não nos entra pela casa dentro e não somos presos em plena rua por criticar canalha.
E muito mais. E esta a falhar.
Que grande patranha e que grande sarilho em que estamos metidos.
Basicamente temos a mesma posição sobre praticamente tudo o que abordaste.
Só não sei de onde veio a tal “data marcada” do massacre no Donbasa para 8 de Maio de 2022.
Diz-me mais sobre isso, se faz favor.
—–//—–
À Estátua De Sal, venho pedir que dê atenção ao último artigo do José Goulão publicado na Strategic Culture Foundation.
Estávamos aqui no blog a ler e a falar sobre “esquerda nem-nem” e “esquerda que se espanta”, e eis que a Madame de tal putedo deu o maior exemplo de todos:
“UN Secretary-General António Guterres shook hands with Syria’s “interim president” Ahmed al-Sharaa—better known as Abu Mohammed al-Jolani, a lifelong al-Qaida terrorist. Jolani’s victory, aided by the West’s “coalition of the willing,” represents al-Qaida’s greatest victory in 40 years as an instrument of Western expansionism. Guterres has legitimized a regime installed by terrorism.
By legitimising al-Qaida’s greatest victory, the UN secretary-general has left the president of the United States, the prime minister of Israel and the subservient ruling elite of the European Union … with their hands free to continue relying on terrorism, the erosion of international law, war, expansionism and even the ethnic cleansing of the Gaza Strip.
Guterres’s gesture amounts to an assault on international law of the gravest kind—committed in the name of the very organization entrusted with upholding it. His proclamations turn to dust, and his expressions of sorrow for Palestinians become cruel hypocrisy.”
O pessoal do que resta do BE, do “Livre”, da facção “esquerda” do PS e do PAN, e do apoio à candidatura presidencial da Ana Gomes (a Victoria Nuland tuga, versão ainda mais rasca), até teve logo um orgasmo político ao ver o que o Guterres acabou de fazer.
É para um mundinho assim que todos eles andam a trabalhar…
Um secretário geral da ONU não visitava a Síria há 17 anos.
Guterres nem lá meteu os pés sequer aquando da assinatura do cessar fogo pelo Bashar al-Assad, nem quando este foi convidado de volta para a Liga Árabe (*).
Mas agora que terroristas da Mossad… quer dizer, da al-Qaeda estão no poder, e soltaram os terroristas do ISIS, e deixaram de lutar pela desocupação dos Montes Golã, e fizeram matanças q.b. de Alawitas e Druzes e Curdos e Xiitas, e ameaçam invadir o Líbano, e assinaram os Acordos de Abraão com “israel”, e deixaram o espaço aéreo Sírio ser usado para bombardear escolas e hospitais no Irão, agora sim, era a altura ideal da ONU lá ir…
(*um convite que me parece hoje ter sido só um esquema para fazer Assad baixar a guarda, antes do HTS (al-Nusra, al-Qaeda) e companhia violarem o cessar-fogo e recomeçarem a guerra para uma ofensiva final, já com a Síria bem desgraçada pelas sanções, e com os generais sírios bem corrompidos, e o HTS e companhia bem rearmados pela Turquia/NATO a norte e pelos EUA/NATO a sul via Jordânia)
Há muitas coisas interessantes no texto do João Gomes, mas há ali uns pontos em que ele borra a pintura toda. Vou citar cada um desses pontos, e contra-argumentar.
“É aqui que a minha posição pessoal se afasta de qualquer lógica de blocos. Não sou obrigado a escolher entre Washington e Moscovo.”
– na realidade és. Ou estás do lado que agride, ou do lado de quem se defende da agressão imperial. Os EUA têm 900 bases militares em todo o Mundo e bombardeiam e semeiam o caos, terorismo, golpes violentos, sanções da fome, etc, em todo o planeta. A Rússia está a defender o povo Russo.
É logo aqui que começa o erro da “esquerda que luta”. Lutam contra quê, se recusam estar do lado anti-nazi? Ninguém tem pachorra para vos ouvir, não faz sentido nem tem coerência, é covardia, e como tal a vossa expressão eleitoral tende para zero.
Para a “Esquerda que se espanta” e a Direita vos destruir completamente o argumento, só precisa de perguntar: “então tu dizes que o Zelensky é nazi, mas depois não tens coragem para dizer que apoias Putin?”. Pumba. Destruído! Aos olhos dos eleitores deles, foste humilhado e passas a ter um rótulo de “putinista” que te consegue minar a credibilidade. Aos olhos dos teus potenciais eleitores, ficaste K.O. e incapaz de explicar: “realmente, se eles são nazis, devemos falar com eles em vez de os combater? Ao menos a posição dos pró-NATO é coerente…”
Enquanto a “Esquerda que luta” não perceber isto, vai continuar deitada no ringue com a contagem do árbitro: “Um… Dois… Três…” – cada vez mais próxima da chegar a: “DEZ! Knock Out!”
“Nem entre Washington e Pequim.”
– novamente tens de escolher. Ou estás do lado do capitalismo fascista neocon imperial neoliberal que destrói países inteiros e prende povos na armadilha da dívida, ou estás do lado que realmente luta contra isso na geopolítica e mercados globais e o faz de forma pacífica, criando as instituições e instrumentos com que o Sul Global se está a libertar. Novamente, não há meio termo. Ou estás do lado do agressor imperial, ou da vítima da agressão (China) que agora o agressor chama de “ameaça” só porque se atreveu a levantar e a subir mais alto e, pior (do ponto de vista da escumalha ocidental), está a ajudar tantos outros a levantarem-se também.
“Nem entre NATO e Rússia.”
– parcialmente verdade. Se Portugal fosse um país decente, neutral q.b., como a Suíça e Irlanda, talvez Portugal pudesse escolher o meio termo, da neutralidade. Mas Portugal, em violação da sua Constituição desde 1976, está do lado da NATO, i.e. do império dos EUA, e de todas as suas agressões contra N países e povos por esse Mundo fora. Portugal tem a obrigação de cumprir a sua Constituição, ou seja, sair da NATO (onde a ditadura fascista nos colocou, em amostra de amizade entre o Fascismo de Salazar e a “Democracia” Liberal de Churchill), e opor-se às agressões e belicismo e estupidez em geral da NATO.
Portugal não tem de escolher a Rússia e a organização, essa sim de Defesa comum CSTO, mas não pode continuar a escolher a NATO nem ser politicamente “neutral” (i.e. tolerar a sua existência, e chamar de “defensivo” a todas as suas agressões e expansões imperiais) em relação a esta organização, que na prática é uma filial do Pentágono na Europa. Portugal tem a obrigação constitucional e moral de ser contra a NATO. E mais, a obrigação de pedir desculpa e pagar reparações aos países agredidos pela NATO com a nossa colaboração, durante estas últimas décadas.
“Posso considerar que a invasão russa da Ucrânia foi um erro e, simultaneamente, reconhecer que a expansão da NATO e a política de segurança europeia contribuíram para criar um ambiente de confronto.”
– não, não podes. Chamar um “erro” a um intervenção militar totalmente provocada e 100% justificada, e que é a única coisa que salvou o Donbass e a Crimeia de virem a ficar como Gaza ou a CIsjordânia ou o Sul do Líbano, não é uma coisa para gente decente, inteligente, e bem informada. Chamar a isto um “erro” é uma coisa para escumalha, ou idiotas, ou vítimas de lavagem cerebral da propaganda da NATO/EUA, ou, neste caso, vítimas da covardia da tal “esquerda que luta” mas só desde que os adversários não sejam nazis ucranianos… já para não falar da hipocrisia moral dos pacifistas.
E não é sequer só a minha opinião. É a opinião de quem mais importa: perguntemos directamente a quem vive no Donbass e Crimeia o que pensam disto. Será que preferem estar a salvo graças ao exército Russo que receberam de braços abertos e no qual alguns até se inscrevem, ou será que preferiam ter o exército Russo quieto do outro lado da fronteira a ver os nazis de Kiev a destruir aquela região e a fazer matanças (como as de Bucha e da “contra-ofensiva” de Kharkov e tantas outras) e a oprimir quem ficasse vivo, tal como faz desde 2014 na restante Novorossiya?
Ou, colocando a questão de outra maneira: consegues perceber sequer a ponta de um corno do que se passa e colocar-te na pele de quem estava em Donetsk e Lugansk quando as bombas começaram a ser disparadas pelos nazis em 2014, em 2015, e em 2022?
Quanto à “política de segurança europeia”, ela simplesmente não existe. Os vassalos fazem o que o império manda. E os EUA mandaram provocar e ameaçar a Rússia, com o objectivo declarado (desde os anos 90, de acordo com Zbigniew Brzezinki) de vir a fazer exatamente esta guerra proxy: com armas dos EUA, dinheiro dos vassalos da NATO, e a carne para canhão dos países do Leste onde os golpes da CIA, como o Maidan, fossem um sucesso. Eles não “contribuíram para criar um ambiente de confronto”, eles são o confrontador/agressor que ordenou o início da guerra civil (nazis vs povo do Donbass) e ordenou a violação de Minsk (casus belli) para tornar a intervenção Russa inevitável.
Ou, novamente colocando a questão por outras palavras: tens olhos, ou és ceguinho?
“Posso defender a soberania da Ucrânia e, simultaneamente, perguntar se o Ocidente esteve sempre disposto a reconhecer as preocupações de segurança russas.”
– poder, até podias, se estivéssemos em 2013. Mas de 2014 em diante, após o golpe sangrento da CIA em Kiev recorrendo a nazis para destruir a democracia e independência e liberdade na Ucrânia, e colocar no poder um grupo de vassalos 100% escolhidos e controlados por Washington DC, já não podes. De soberana e independente, a Ucrânia pós-2014 não tem NADA! Mas se gostas de defender coisas que não existem, isso é normalmente matéria para falar em privado com um psicólogo…
“Posso “condenar Putin” sem transformar Zelensky num herói acima de qualquer crítica.”
– podes condenar quem quiseres. Até podes condenar o Otelo e o Maia por terem feito uma “agressão” ao governo “legítimo” e Parlamento “eleito” de Portugal em 1974… Até podes fazer como a ditadura nazi da Ucrânia e condenar a Masha e o Urso…
Ou então podes evitar ser um tolo e um covarde, que tem medo de reconhecer o que expliquei acima, tem medo de lutar realmente contra aos agressores imperiais e nazis, e acha que é a cantar uma música dos escuteiros e a dar as mãos que as coisas se resolvem.
E vais condenar Putin exatamente pelo quê?
– por salvar a Crimeia e o Donbass?
– por combater e inevitavelmente derrotar nazis?
– por acolher refugiados da guerra civil da Ucrânia, e que a Ucrânia proibiu de regressar?
– por gastar dinheiro dos impostos Russos para reconstruir e melhorar as infraestruturas neste território cheio de gente que foi violentada pelos golpistas desde 2014?
– por defender a liberdade política dos partidos (ilegalizados pelos golpistas ucranianos) em que esta gente quer continuar a votar?
– por realizar eleições democráticas?
– por reconhecer o direito humano à autodeterminação, i.e. os referendos de 2014, finalmente reconhecidos pela Rússia em 2022, e só porque os nazis violaram Minsk;
– por fazer uma intervenção militar cirúrgica onde numa noite típica caem dezenas de mísseis em alvos militares e centenas de drones, e nem sequer meia dúzia de civis morrem?
– por exigir a desnazificação da ditadura ucraniana tal como se fez à Alemanha e à Finlândia nazis?
– por celebrar o Dia da Vitória (proibido nas ditaduras da Ucrânia, UE, e EUA) com respeito pela história?
– por reconhecer e proteger as línguas e culturas não-russas existentes naquela região e em toda a federação Russa, inclusive o Ucraniano?
– por pagar as pensões das pessoas que deixaram de receber esse dinheiro do regime de Kiev?
– por recusar usar o seu direito legítimo e legal de responder aos sucessivos casus belli cometidos pelo ocidente, e continuando sem contra-atacar os NATO-cornos envolvidos DIRETAMENTE nesta guerra, mesmo tendo para isso que ver a Rússia a ser bombardeada enquanto a Europa se ri e continua a não saber o que é ter mísseis e drones a voar nas suas capitais?
Qual é exatamente o comportamento que merece condenação?
“Posso defender o direito de Israel à existência sem aceitar a ocupação dos territórios palestinianos.”
– não, não podes. És um Português a viver sob a Constituição Portuguesa, que proíbe o colonialismo e o racismo, e exige o respeito pela Carta da ONU. Ora, a tal de “israel” não é um país, é um projecto colonial ocidental, com base na ideologia extremista racista chamada sionismo. Esse projecto colonial inventado em 1947, com apenas 33 regimes ocidentais (e seus vassalos/províncias) a votar CONTRA a esmagadora maioria do Mundo numa proto-ONU, com fronteiras aleatórias desenhadas por um inglês e um estado-unidense, existe só à base de apartheid (ditadura racista), invasão e colonização, limpeza étnica, terrorismo de Estado, e um genocídio lento que em Gaza desde 2023 foi acelerado. Para defenderes o “direito” de “israel” à existência, tens de ser uma besta quadrada e parte da pior escumalha à face da terra. Tal como a escumalha que defendia o “direito” de Portugal “defender” o “seu” ultramar em Angola e Moçambique e Guiné Bissau.
E como é que defendes isso “sem aceitar a ocupação de territórios palestinianos”?! Toda a “israel”, TODA, está a ocupar territórios Palestinianos, e também Sírios e Libaneses! Ou será que a tua “história” recomeçou só em 1947 e não tem nada nos 2667 anos anteriores, e é uma história em que um revisionismo moderno (sionismo criado e expandido só nos últimos 150 anos) com base num documento (Bíblia Hebraica, aka Velho Testamento, aka Torah, aka primeira parte da Bíblia “Cristã”) de alucinação colectiva e fanatismo e nacionalismo odioso, vale mais que a história de facto, do que a tua consciência, e do que os Direitos Humanos?
“Posso defender a Palestina sem aceitar que todos os actos praticados em seu nome sejam automaticamente legítimos.”
– podes e deves defender a Palestina, mas está visto que não o fazes. Nem defendes realmente a Palestina nem o Donbass nem povo nenhuma que seja invadido e agredido. Todos os actos de resistência perante um invasor violento estão automaticamente justificados. O próprio International Court of Justice da ONU já assim decidiu: os Palestinianos têm o direito humano à resistência VIOLENTA.
Se o invasores decidem fazer festivais de música e casas em teritório ocupado, e colocar “civis” (IDFs e Mossads na reserva) e suas crianças na linha da frente, isso não é problema do Hamas nem do Hezbollah, que têm todo o direito e 100% legitimidade para recuperar os seus territórios pela força e usar a violência contra os invasores/colonizadores. E olha que nem sequer os nazis da Ucrânia se atrevem a fazer a mesma alarvidade que “israel” faz, de colocar escudos humanos na linha da frente da sua invasão/colonização. Os nazis Ucranianos preferem obrigar à evacuação forçada na sua direcção, para evitar baixas civis, e para evitar que os pró-Russos acabem do lado certo… A tal de “israel” é comparável à, senão pior que, Alemanha Nazi de Hitler. As SS eram terríveis, mas não me lembro de nenhum relato onde tivessem colocado os civis do seu próprio povo a colonizar a linha da frente e a servirem de escudos humanos.
“A coerência começa precisamente aqui. Quando somos capazes de manter o mesmo princípio, mesmo quando ele incomoda os nossos amigos.”
– tens muitas coisas, mas coerência não é uma delas. E não é possível manteres “o mesmo princípio” quando não tens princípio nenhum. És a tal “esquerda que luta” de tal forma que, se hoje fosse 1944, estavas a dizer que “não preciso de escolher entre Hitler e Stalin”, ou “posso defender o povo Soviético sem ter de concordar com a “invasão” de Berlim”. Sabes porque é que a tua “esquerda que luta” está a tender para zero? É exatamente por esta incoerência e covardia. Quem é de Direita e da “esquerda que se espanta”, ou é convictamente escumalha ou é do mais idiota (útil ao regime) que por aí anda à solta, respectivamente.
Mas quem é potencial eleitor da “esquerda que luta”, olha para o teu discurso e, ou não o compreende tal incoerência, ou até compreende mas não é arrebatado por ele, ou seja, um eleitor da Direita e da “Esquerda que se espanta” pode ir para a rua gritar com conviccção: “Morte ao Putin, pela defesa da Ucrânia”, pois é a lavagem cerebral de que foi vítima, e é uma lavagem eficiente exatamente porque manipula a emoção de uma forma coerente. Mas a “Esquerda que luta” não tem motivação nenhuma para ir para a rua gritar: “Morte aos nazis e a quem combate os nazis”. É simplesmente ridícula a vossa posição, e é por isso que não convence quase ninguém, e é por isso que a tua facção não tem sucesso nenhum em arrebanhar os votos dos descontentes com a NATO/UE/EUA.
No dia em que percebere isto, perceberás que não te estou a criticar por criticar, mas sim a ser aquele bom/melhor amigo, que te vai dizer o que tens de ouvir, uma crítica constutiva para te ajudar.
E para explicar ainda melhor, vou comparar o Donbass e Crimeia RUSSAS com a Palestina: o que uma real Esquerda que realmente luta deve fazer, não é abanar bandeiras da Palestina, mas sim condenar o Hamas. Não é andar a passear numa flotilha, e nem um dedo levantar contra a IDF/Mossad. O que devemos fazer é organizar um exército (e fazer pressão nas ruas para que certas potências mundiais e regionais façam parte dele) que consiga fazer na Palestina ocupada o MESMO que a Rússia faz no Donbass ocupado: matar nazis genocidas, libertar quem lá estava sob ocupação e opressão, avançar a linha da frente pela violência, reconstruir logo o que já está suficientemente seguro, reverter a limpeza étnica (repopulação com os ex-refugiados), e mandar à m*rda as linhas de fronteira “soberana” e “regras” do “direito internacional” desenhadas por porcos em Washington DC (e Londres, e Paris, e Bruxelas) que são sempre os primeiros a violar tudo quando lhes dá na real gana.
A “esquerda que se espanta”, acaba por ser na prática o bando de idiotas úteis do império nazi genocida ocidental.
A “esquerda que luta”, é na prática o bando de covardes incoerentes que não convencem sequer o seu próprio eleitorado potencial.
A Esquerda Real, é a que pega em armas e dá tiros a nazis e sionistas (ou financia e arma os heróis que o fazem) e percebe que o mais importante (do que ser Esquerda neste momento) é ser inabalavelmente anti-imperialista, e estar ao lado de todos os anti-imperialistas do Mundo, sejam eles de Esquerda, não alinhados, ou de Direita, Cristãos, Ateus, ou Muçulmanos, brancos, pretos, ou outra coisa qualquer.
Este é que é o internacionalismo que interessa.
Quanto à “democracia” aqui deste lado: “As democracias ocidentais conquistaram direitos fundamentais que devemos preservar. Mas também possuem interesses económicos, grupos de pressão, grandes concentrações de capital, complexos industriais-militares e estruturas de poder que influenciam decisões políticas. Reconhecer isso não é ser contra a democracia. É precisamente exercer o pensamento crítico dentro dela.”
Vamos preservar exatamente o quê?
– o Direito a não sermos representados, e de termos uma rede de corrupção e interferência imperial em grande parte do globo sob a influência ou controlo dos EUA, ao ponto dos nossos “candidatos” serem previamente escolhidos consoante a sua lealdade ao império, e de vermos golpes (ora palacianos ora violentos) orquestrados sempre que o império não gosta dos resultados nas eleições aqui e ali?
– o direito à desigualdade pornográfica? O Direito a todos os media mainstream (e já alguns alterantivos) e redes sociais, nas mãos de bilionários ou diretamente do regime dos EUA, mentirem todos os dias e manipularem a percepção dos eleitorados, manipulando assim os resultados eleitorais?
– o direito a sermos multados e censurados e presos caso digamos as coisas “erradas” nas redes sociais do império, como por exemplo algo que diminua os lucros da Pfizer, ou o uso de um pronome “incorrecto”?
– o direito a sermos espiados 24h/dia, inclusive nas nossas mensagens privadas “encriptadas”, com a ditadura da UE a dar essa permissão a empresas privadas dos EUA, mesmo contra a esmagadora maioria dos Europeus?
– o direito de recebermos ordens de Berlim, Frakfurt, Bruxelas, Estrasburgo, em nome da “integração Europeia” que, sem nunca tal ser referendado e sendo feito em violação da nossa Constituição, é uma violação do nosso direito humano à autoderminação?
E os tais “interesses económicos, grupos de pressão, grandes concentrações de capital, complexos industriais-militares e estruturas de poder” não apenas “influenciam” decisões políticas. Eles DECIDEM. E a imprensa cria o consentimento para o que foi previamente decidido. Um Primeiro Ministro Português não pode sequer cumprir a sua Constituição. Receb ordens para censurar canais de informação não-ocidentais, recebe ordens sobre o nosso modelo económico e financeiro, recebe ordens sobre a destruição continuada e permanente de direitos (acima de tudo os laborais), recebe ordens sobre como usar o dinheiro dos nossos impostos.
Não é “preciso exercer o pensamento crítico dentro dela”, porque ela, a Democracia, já não existe. Não existe Democracia NENHUMA sem um país ter soberania e sem um povo saber a verdade.
E chegámos a este ponto exatamente porque o regime da “Democracia” Liberal foi feito para as massas cidadãs não saberem nem poderem exercer nenhum pensamento crítico que realmente mude o regime.
Ou achas legítimo um governo eleito por uma maioria que acha que “a NATO é defensiva” e “a Rússia é uma ditadura” e “a Ucrânia não violou Minsk” e “a democracia e liberdade dependem de derrotarmos a Rússia” e “o Putin é que apoia os nazis na Europa”, etc?
Umas eleições nestas condições não têm legitimidade NENHUMA!!!
E esta manipulação da percepção do povo, e portanto manipulação eleitoral indirecta, existe diariamente não apenas em relação à Rússia e NATO, mas também em relação à própria UE e Zona Euro, à natureza dos regimes dos EUA e “israel”, à economia, etc.
Chegámos a um ponto em que um país como Portugal tem 35% das pessoas a dizerem que o “maior problema ou preocupação” é a imigração.. Num país quase sem imigração, e onde quem realmente tem problemas são os poucos imigrantes que para cá são transportados para serem explorados a torto e a direito.
Bastou ao império por os “algoritmos” das suas redes sociais a funcionar, financiar o pessoal certo (nos media, nos influencers, nas novas igrejas como os Evangélicos financiados a partir dos EUA), e dar a cartilha aos Cheganos e Melos de serviço. Ah, e uma alteração da lei da nacionalidade feita mesmo à medida para impedir que os imigrantes chegados aqui desde 2022 possam obter a nossa nacionalidade já em 2027… Agora é só em 2032. Afinal de contas há muita carne para canhão eslava que terá de ser recambiada para a sua ditadura em Kiev, pois as trincheiras da guerra proxy da NATO não se enchem sozinhas…
É só com “pensamento” que vais combater isto?
Como? Se nem tens pensamento para perceber isto?
E quando se dá o milagre de um povo conseguir ver além da propaganda e manipulação, e de se juntar e votar realmente para mudar, o império ocidental faz interferência ou mesmo escandalosa tentativa de golpe para impedir isso.
– assistimos a isso na Grécia após o povo votar contra os Pinochetistas/austeritários, levando com a represália do BCE a mando dos banqueiros de Berlim, pois o fascista Schauble queria ensinar os Gregos a votar “como deve ser”…
– vimos isso também na Geórgia após o povo votar pela soberania e paz, em vez de aceitar ser mais um vassalo na ditadura da UE e na integração prometida (mas nunca confirmada) na NATO, e que iria ser usado pelos EUA para abrir uma segunda frente na guerra proxy contra a Rússia.
– e na Síria, onde o povo foi roubado, pelo ocidente, da possibilidade de fazer uma revolução pró-Democracia, e em vez disso passou a ser oprimido pelo terrorista líder da al-Qaeda (al-Nusra, HTS) e colaborador do ISIS, e que é um fantoche do Pentágono e da Mossad.
– ou na Venezuela que, sendo democrática e soberana “demais”, levou com um semi-golpe (os Bolivarianos continuam no poder, mas…) só para o império poder ir lá roubar 50% do petróleo produzido.
Podia continuar o dia todo a acrescentar entradas a esta lista, com N casos em todo o Mundo nesta última década. E teria de estar aqui uma semana inteira a escrever se falasse das décadas anteriores…
E tudo isto é o resultado da existência da tal de “democracia” no Ocidente, e de uma “esquerda que se espanta” e que governa (ou apoia quem governa) só para ser idiota útil, e de outra “esquerda que luta” dentro das amarras deste regime, que cai na esparrela de ainda lhe chamar “democracia”, e que cai na covardia de não lutar realmente contra mal nenhum pois perante os nazis e sionistas e outros males absolutos, acha que o correcto é levantar a bandeira branca e pedir: “oh, por favorzinho, podemo falar?”
Sabem porque é que na Rússia há um partido Comunista com mais de 20% dos votos, e um partido de Esquerda com cerca de 10%, enquanto que em Portugal isso é respetivamente 10x mais baixo e a caminho do zero? Porque lá, a Esquerda tem coragem de apoiar a luta real contra nazis. O povo percebe a coerência de se estar ao lado do Presidente Putin (de Centro-Direita), neste momento histórico, mesmo sendo-se de Esquerda.
Mas se calhar tu queres criticar o facto do Partido Maçã, “pró-paz” (mas nunca crítico dos EUA/NATO) e pró-UE, ter sido expulso justamente das listas eleitorais, não pelo Putin, mas por um tribunal independente de acordo com o Estado de Direito, porque achas que receber fundos do estrangeiro e apoio descarado de quem queria destruir a Rússia, i.e. o crime de traição, e perfila ideologias Pinochetistas e Nazis e Sionistas, são coisas que os Russos deviam tolerar em nome da tal “Democracia” Liberal, tal é a “normalidade” com que tu toleras exatamente o mesmo aqui em Portugal. E ainda te achas “decente” por tolerares isso só a falar e a pensar e a “lutar” teoricamente…
Não, pá, tu nem és de Esquerda, nem lutas contra coisa nenhuma!
De Esquerda não era o gajo que criticou Hitler.
De Esquerda era o herói que se alistou no exército vermelho e deu tiros a nazis.
De Esquerda não era o gajo que criticou Salazar.
De Esquerda era o herói que se alistou no MFA (e no MPLA e FRELIMO e PAIGC) e deu tiros aos fascistas (e aos colonizadores).
A lição do 25-Abril não é que “a revolução foi boa porque foi pacífica”. A lição é: “a revolução foi boa porque o MFA disparou e estava pronto a matar, mas felizmente só a PIDE é que matou, e foram “só” sete civis”.
Se nem isto vocês percebem, isto que está aqui na nossa própria história, à frente dos nossos olhos, como é que haviam de perceber o que está mais longe e só vos chega contado de forma parcial e enviesada?
E a mesmíssima coisa se aplica ao Donbass e Palestina e companhia.
De Esquerda não é quem critica Zelensky e Netanyahu e companhia, e muito menos quem critica Putin e Hezbollah e companhia.
De Esquerda é quem apoia a intervenção militar para derrotar nazis e libertar o Donbass, e de Esquerda é quem apoia os movimentos de resistência justificada e legitimamente VIOLENTA contra o colonialismo sionista genocida, e por aí fora.
E em Taiwan será a mesma coisa. Ou estás do lado da China quer quer a unificação do SEU território após a derrota dos nacionalistas-fascistas, ou do lado do império que se incomoda com o sucesso do povo/comunismo e está a encher a Ilha Formosa de armas para ali activar mais um guerra proxy, parte da sua Grande Guerra Mundial do Fascismo Imperialista contra o nascimento do multipolarismo liderado pelos Comunistas Chineses.
E os estarás de um lado, ou estarás do outro.
Não há meio, nem há mas, nem meio mas.
E enquanto a tua “Esquerda” não perceber isto, nem tiver a coragem de esolher um lado pelo qual lutar realmente, não vai sair da actual tendência: a caminho do zero, da irrelevância eleitoral total.
E pior, pode até acontecer como na Alemanha de Leste, onde a estupidez do Linke (o BE e PCP lá da zona) e do SPD (o PS lá da zona) e dos Grüne (os Livre e PAN lá da zona), e a demora em aparecer uma coisa chamada BSW (uma Esquerda REAL que ESCOLHE um lado e é corajosamente contra a NATO/EUA/UE), levou ao vazio de representação e ao crescimento e consolidação da Alternative fur Deutsschland (AfD).
Em Portugal, exatamente os mesmos sintomas e erros e covardia das “esquerdas”, levou ao aparecimento e consolidação do Chega. Só não é uma AfD portuguesa, porque de nacionalistas não têm nada. São tão vendidos e traidores como o PSD e CDS (as suas barrigas de aluguer) sempre foram. Mas dêem-lhe tempo… e dinheiro dos EUA/NATO/UE… e nazis ucranianos à solta em Portugal apoiados com o mesmo entusiasmo por montes de esterco como os Cotrim Figueiredos e os Rui Tavares… e chamem “liberdade” de expressão às redes sociais com que o Tio Sam manipula/controla as mentes ocidentais… e acima de tudo, continuem a insistir nos erros que cometeram até aqui.
Com certeza as coisas vão correr de forma diferente se insistirem em continuar a fazer o mesmo…
Escumalha desta, na Rússia e na China e companhia, não só nem se aproxima o suficiente para cheirar o poder, como pode antes passar a ver o sol atrás das barras. À moda do nazi e traidor e corrupto Navalny. E muito bem! Os gulags na sibéria, que até tinham menos presos do que as prisões actuais dos EUA (2.2 milhões), eram uma parte essencial da luta real. E funcionam. E são necessários. Como Karl Popper ensinou, há escumalha que pura e simplesmente não pode ser tolerada, pois são uma ameaça aos outros e a tudo o de bom que existe.
É triste, mas é mesmo assim. E enquanto o homo sapiens for homo sapiens, nunca será de outra maneira.
Isto significa prender os vassalos dos EUA/NATO/UE e colaboradores corruptos de “israel” e ucrânia nazi e companhia, e significa usar armas e munições a sério contra os seus exércitos e esquadrões da morte e proxies e terroristas.
Agora, se a tua “luta” é ir comer bifanas e beber cervejas na Festa do Avante, ao mesmo tempo que a escumalha por ti tolerada anda em Portugal (e na Europa) à solta a ser vassala do império dos EUA/NATO e ditadura da UE, que dá armas a nazis, coloca terroristas no poder, faz golpes sangrentos para destruir democracias soberanas, aplica sanções para provocar a fome de milhões de pessoas, e colabora num colonialismo genocida, então não tens salvação.
Nem tens moral nenhuma para criticar a “Esquerda que se espanta”, pois a tua “Esquerda que luta” em pouco se diferencia na teoria, e não faz nada de melhor na prática.
Falemos de Cuba, um exemplo de decência, que após ser revolucionária e Esquerda REAL e lutar heroicamente contra os porcos na baía, em tempos modernos passou a tolerar cada vez mais pacificamente a agressão/ameaça imperial permanente, a ocupação de Guantánamo pelos EUA (um campo de concentração e tortura de civis inocentes raptados de suas casas nos respetivos países, e transportados quase sempre via Lajes nos Açores…), e nem um único drone dispara contra Miami nem contra as plataformas petrolíferas nas águas do Texas. Cuba, tal como tu, também prefere a “paz”…
Resultado: a “democracia” ocidental está a fazer um bloqueio onde o objectivo é empobrecer Cuba ao máximo e idealmente fazer os Cubanos passar as noites às escuras e sofrer fome. Até seringas para vacinas e livros escolares têm dificuldade em obter. E metais para as fundações de edifícios e fabrico/recuperação de veículos, é para esquecer.
É este o resultado prático da “Esquerda que luta”.
E quem foi o único governo com coragem e meios e coração para doar energia (petróleo) a Cuba, tendo para isso de enviar um cargueiro de petróleo defendido pela marinha Russa para furar o bloqueio imperial (com intenções genocidas) sem ser vítima da pirataria cometida pela tal da “democracia”? Não foi a “Esquerda que luta”, foi a Rússia de Putin.
Entre os barcos de guerra do agressor Ocidental, ou os barcos de solidariedade e resistência anti-imperial do Leste e do Sul Global, não existe uma posição no meio, nem mas, nem meio mas. Ou estás de um lado, ou estás do outro! É assim em Cuba, e é assim em todas as outras coordenadas.
Na geopolítica, o acto de “não escolher”, não é um acto de “coragem” nem de “luta”. É um acto de COVARDIA, é uma prenda para o agressor, e é a garantia de derrota por desistência.
A única crítica que tenho a fazer ao lado revolucionário e anti-imperial, é quando deixam que a religião se misture com o resto ao ponto disso prejudicar a própria Defesa. O Irão podia estar em paz, intocado, e se calhar podia até ter tido o poder para proteger o Líbano e impedir o genocídio na Palestina. Mas, infelizmente, a fatwa do pai Khamenei AINDA diz que as armas nucleares são “incompatíveis” com a moral e teologia islâmicas.
Estou certo que todos os sionistas, com 200 armas nucleares na Palestina ocupada (“israel”), regozijam com esta fatwa, tanto quanto as famílias das crianças de Minab (e tantas outras) se arrependem dela existir.
Espero só que o filho Khamenei corrija este erro estratégico, e aprenda com a lição da Coreia do Norte: desenvolver armas nucleares, e também os mísseis inter-continentais necessários para as fazer chegar ao território do Grande Satanás (EUA).
É também nesta geografia que está a origem da minha única crítica geopolítica à Rússia e China em 2026: os navios de guerra dos EUA deviam ter sido todos afundados assim que começou a agressão ao Irão logo na Primavera.
Deixar aqueles porcos imperialistas genocidas à solta e à tona, foi um erro histórico, um sinal de fraqueza, e um convite a mais agressões imperiais. Tal pacifismo perante tamanha agressão, só gera impunidade. Resultado: no Verão de 2026, os mísseis da NATO começaram a ser disparados pelos nazis com ordens para atacar alvos civis bem dentro da Rússia. E a entrega de armas imperiais acelerou na direção de Taiwan.
[SARCASMO] Mas estou certo que a “Esquerda que luta” festejou a chegada a casa, sãos e salvos, daqueles marinheiros/pilotos/soldados dos EUA/NATO e seus apoiantes, junto dos quais o seu “pensamento crítico”, com quase zero tempo de antena na mainstream media e shadow banning nas redes sociais, fará toda a diferença… E só tem a criticar que o “malvado” do Putin tenha bombardeado de volta os nazis… e que o “malvado” eixo da resistência tenha bombardeado de volta “israel” e os seus colaboradores sunitas naquela região…
Irra, que chatice que gentinha como eu não perceba como tudo se resolveria com o soltar de uma pomba na Festa do Avante… Aliás, foi assim que os Bolcheviques derrotaram o Czar e os Soviéticos derrotaram o Hitler, como todos nos lembramos… Saigão tornou-se Hô Chi Minh graças ao Norte ter convencido o Sul só através de boa argumentação… os Capitães só se revoltaram e fizeram o 25-Abril porque ninguém disparou contra eles em África… só vivemos em República porque a Carbonária pediu “por favor” para falar na corte e entregou pastéis de nata ao Rei… como todos os bons Portugueses sabem, o Dom Afonso Henriques recebeu a independência de Portugal como prenda por bom comportamento dada pela sua querida mãe… os mouros foram-se embora após lhes pedir-mos com jeitinho… e, claro, os sacanas dos índios nunca deviam ter atirado setas, afinal de contas todas as colónias Britânicas têm o direito a existir…
Muito bem!